A espera finalmente chegou ao fim. A Ferrari elétrica, Luce, apontada como um dos carros mais comentados, polêmicos e aguardados dos últimos anos — antes mesmo de ser apresentada oficialmente — foi revelada nesta segunda-feira, 25 de maio.
E a verdade é uma só: ela não passa despercebida. O novo modelo divide opiniões instantaneamente. Alguns ficaram fascinados, outros estranharam completamente o visual. Mas a Ferrari sabe exatamente o que está fazendo. A Luce não é apenas mais um carro elétrico: é uma ruptura completa com tudo aquilo que conhecíamos sobre os esportivos da marca de Maranello.
A primeira Ferrari 100% elétrica estreia com uma plataforma inédita, quatro motores elétricos independentes, potência de até 1.050 cv e uma proposta de condução que promete mudar completamente a experiência ao volante.
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Tudo isso acompanhado de um design extremamente ousado, desenvolvido em parceria com designers vindos do setor de design industrial, além de um interior construído com um nível de acabamento que muitos já consideram o mais refinado da história da fabricante italiana.
Diferente do que muita gente imaginava, a Ferrari Luce não será uma edição limitada nem um carro-conceito sem aplicação real. O modelo fará parte da linha regular da Ferrari, posicionando-se ao lado das demais supermáquinas da marca, com preços iniciando em 550 mil euros e encomendas abertas desde sua estreia oficial.
Estética de iPhone presente na Ferrari Luce

O design nasceu da colaboração entre o Centro Stile Ferrari, em Maranello, e a LoveFrom, empresa fundada por Jony Ive, conhecido mundialmente por criar a identidade visual do iPhone. Apesar da influência estética evidente, a Ferrari afirma que o desenho não surgiu apenas como exercício artístico. Os engenheiros da marca definiram todas as superfícies com base em critérios funcionais e aerodinâmicos, enquanto a equipe da LoveFrom ficou responsável por transformar isso em uma carroceria futurista.
O resultado é um carro com 5,02 metros de comprimento, 2 metros de largura e 1,54 metro de altura — ficando inclusive cinco centímetros mais baixo que o Ferrari Purosangue. A silhueta final ficou bastante diferente das projeções que circulavam na internet, algo que naturalmente dividiu opiniões, exatamente como acontece com propostas ousadas.
A prioridade máxima no desenvolvimento foi a eficiência aerodinâmica. Sem um tradicional motor V12 ocupando espaço sob o capô, a Ferrari abandonou proporções clássicas para criar algo totalmente novo. O coeficiente aerodinâmico é de apenas 0,254, alcançado sem o uso de aerodinâmica ativa — uma decisão proposital para evitar aumento de peso e preservar a limpeza visual da carroceria.
A cabine possui formato inspirado em uma gota d’água, pintada em preto e visualmente separada da carroceria de alumínio. Na dianteira, o desenho cria uma enorme asa aerodinâmica integrada, enquanto a transição entre capô e para-brisa acontece de maneira extremamente fluida.
Até os limpadores de para-brisa foram completamente reprojetados e patenteados pela Ferrari para gerar microvórtices sem prejudicar o fluxo de ar. Outro detalhe impressionante está nas rodas: são as maiores já instaladas de fábrica em uma Ferrari, com 23 polegadas na dianteira e 24 polegadas na traseira.
Mesmo sendo extremamente futurista, a Luce mantém alguns elementos tradicionais da marca. As clássicas quatro lanternas redondas continuam presentes, conectando visualmente o futuro elétrico ao passado da Ferrari.
Maior porta-mala da Ferrari
No interior, a influência de Jony Ive aparece claramente nos acabamentos em alumínio, no tratamento dos vidros e nas interfaces digitais minimalistas. Curiosamente, a Ferrari evitou exagerar no número de telas. O passageiro dianteiro, por exemplo, não possui um display exclusivo, podendo apenas girar a tela central em sua direção.
A maior novidade da cabine talvez esteja nos cinco lugares. Como não existe túnel de transmissão, a Ferrari conseguiu acomodar um quinto ocupante no banco traseiro. O porta-malas também impressiona: com 597 litros de capacidade, é o maior já visto em um modelo da marca italiana.
Os materiais utilizados no interior chamam atenção pelo nível de refinamento. Segundo os primeiros relatos, praticamente não existe nenhum detalhe visual ou tátil que pareça desagradável. Tudo foi desenvolvido para transmitir sensação de sofisticação absoluta.
Na parte mecânica, cada roda possui seu próprio motor elétrico desenvolvido em Maranello. Os motores dianteiros chegam a impressionantes 30 mil rpm, enquanto os traseiros atingem 25.500 rpm. São motores síncronos derivados diretamente da tecnologia utilizada pela Ferrari na Fórmula 1 e no Mundial de Endurance.
Os motores traseiros entregam 310 kW cada, enquanto os dianteiros fornecem 105 kW. Toda essa potência é administrada pelo chamado e-Manettino, responsável por controlar torque, tração e modos de condução.
No modo Range, focado em eficiência e viagens longas, a potência fica limitada a 320 kW, com tração traseira e velocidade máxima de 260 km/h. No modo Tour, pensado para o uso diário, o carro passa a entregar 460 kW com tração integral. Já no modo Performance, a potência sobe para 725 kW — cerca de 986 cv — permitindo velocidade máxima de 310 km/h.
Existe ainda o Launch Control, capaz de liberar os 1.050 cv completos da Ferrari Luce. O resultado é brutal: aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 2,5 segundos e de 0 a 200 km/h em 6,8 segundos.
Outro detalhe revolucionário está atrás do volante. As tradicionais borboletas não simulam trocas de marcha. Em vez disso, elas controlam o sistema chamado Torque Shift Engagement, permitindo ajustar níveis de entrega de torque e intensidade do freio regenerativo. A proposta não tenta imitar um câmbio convencional, mas criar uma nova forma de condução esportiva para a era elétrica.
O conjunto de baterias utiliza arquitetura de 800 volts e faz parte estrutural do carro. O posicionamento reduz drasticamente o centro de gravidade, fazendo com que a Ferrari afirme que a sensação ao volante seja semelhante à de um carro 400 kg mais leve, mesmo com a Luce pesando cerca de 2,2 toneladas.
Segundo os engenheiros de Maranello, a dirigibilidade se aproxima da oferecida pela Ferrari 296 GTB, graças ao sistema de vetorização de torque e ao eixo traseiro esterçante.
A bateria foi desenvolvida em parceria com a sul-coreana SK On e promete autonomia estimada em 530 km em condições ideais. A Ferrari também confirmou garantia de oito anos para o powertrain sem limite de quilometragem.
A recarga rápida chega a 350 kW, potência considerada suficiente para o perfil típico dos clientes da marca, que provavelmente carregarão o carro principalmente em casa.
Por fim, existe a questão do som. A Ferrari garante que não se trata de um áudio artificial tradicional. Um acelerômetro capta vibrações reais do powertrain e do subchassi, enquanto um algoritmo filtra apenas as frequências consideradas mais agradáveis, reproduzindo-as tanto dentro quanto fora do veículo. O sistema pode ser completamente desligado, deixando a escolha nas mãos do motorista.
E quanto custa a nova Ferrari elétrica?
Mais de meio milhão de euros. Exatamente 550 mil euros antes das personalizações disponíveis no configurador oficial da Ferrari — valores cerca de 40% superiores aos do Purosangue. Mesmo assim, a Ferrari parece acreditar que a Luce não foi criada apenas para vender carros, mas para redefinir o futuro da marca na era elétrica.
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